A Administração Municipal de Cruzeiro do Sul recebeu, na quarta-feira (22), a visita de uma comitiva internacional vinculada à Univates, com o objetivo de conhecer áreas atingidas pela enchente de 2024 e discutir possíveis soluções urbanísticas e ambientais para o Vale do Taquari.
O encontro ocorreu no gabinete do Poder Executivo e contou com a presença do vice-prefeito Carlos Spiekermann, além de integrantes dos setores de habitação, engenharia e meio ambiente. Pela universidade, participaram a coordenadora do Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo da Univates e docente do curso, Jamile Weizenmann e profissionais estrangeiros com atuação em diferentes áreas: a arquiteta Esther de Moraes, radicada em Paris; o urbanista Gerhard Hauber, da Alemanha; e o hidrólogo Tassilo Thebe, também da Alemanha.
Após a reunião inicial, o grupo realizou visitas técnicas a pontos do município que foram severamente impactados pela enchente. Ainda, estiveram na área do Novo Passo, destinada a abrigar grande parte das famílias que perderam suas moradias durante a catástrofe.
De acordo com Jamile Weizenmann, a iniciativa integra um projeto de pesquisa internacional que será desenvolvido ao longo de 2026. “Estamos recebendo pesquisadores da França e da Alemanha para iniciar uma parceria que vai até dezembro, com foco em um diagnóstico das áreas afetadas no pós-enchente. A ideia é eleger uma cidade para aprofundar os estudos e propor soluções em habitação, parques e planejamento urbano, reforçando iniciativas que já estão em andamento na região”, explicou.
Segundo Jamile, a proposta também busca promover a troca de conhecimentos entre pesquisadores estrangeiros e profissionais locais. “São especialistas com ampla experiência em hidrologia, soluções ambientais, arquitetura e urbanismo, que podem contribuir para pensarmos em inovação e novas possibilidades para o Vale do Taquari”, destacou.
A arquiteta Esther de Moraes, que é nascida no Brasil e hoje é professora universitária na França, ressaltou que a visita é resultado de um intercâmbio acadêmico iniciado na França, envolvendo profissionais brasileiros e europeus. “Esse contato despertou um interesse multidisciplinar em compreender melhor a realidade local, especialmente após os relatos de moradores sobre as enchentes. Estamos aqui para aprender com o contexto da região e também compartilhar experiências de outros lugares”, afirmou.
Ela acrescentou que o grupo pretende colaborar na construção de estratégias que considerem a convivência com eventos climáticos extremos. “A ideia é avançar na busca por soluções que compreendam as inundações como parte da realidade, evitando rupturas e promovendo uma adaptação mais sustentável às condições naturais”, concluiu.
A visita marca o início de uma cooperação internacional voltada ao desenvolvimento de alternativas para minimizar os impactos de futuras enchentes e fortalecer o planejamento urbano na região.


